Educação em Saúde

Aprendizagem Baseada em Problemas: conheça essa metodologia

novembro 26, 2018
Tempo de leitura 6 min

Os métodos de ensino estão em constante evolução na busca por estratégias de abordar conteúdos e aumentar a captação do conhecimento, a fim de proporcionar uma formação ampla e contextualizada. É nesse sentido que, no final da década de 1960, na Holanda e no Canadá, começou-se a pensar em uma metodologia de Aprendizagem Baseada em Problemas ou, como usualmente chamada, ABP.

Essa intrigante metodologia de ensino se baseia, essencialmente, na apresentação de uma problemática a um grupo de estudantes, coordenados por professores facilitadores ou tutores, que desdobram a questão em suas diversas variáveis a fim de resolvê-la. Parece complexo porque é diferente do ensino tradicional, mas a apreensão de conteúdos pelos estudantes tem se mostrado muito positiva, por estimulá-los a participar de todo o processo de aprendizagem.

Esse método, em contraposição ao tradicional expositivo, foca na participação dos estudantes para a construção do conhecimento, se pauta em procurar respostas em diversas fontes — privilegiando assim o ensino interdisciplinar e a busca por soluções que contemplem a situação problema, de forma que o aprendizado venha a emergir de discussão e proposições em relação aos conteúdos, que devem ser abordados nas semanas pedagógicas. Sem dúvida, ele é um diferencial importante na hora de escolher onde estudar.

Na sequência de nosso artigo, aprofundaremos na aplicabilidade da metodologia de Aprendizagem Baseada em Problemas e suas principais aplicações. Confira.

Surgimento do método ABP

Conforme já começamos a falar, a metodologia de Aprendizagem Baseada em Problemas surgiu na Holanda e no Canadá, respectivamente nas universidades Maastrich e McMaster. Essa metodologia, no entanto, não foi inventada do nada, mas por meio de um processo de criação pedagógica que teve como base da formação o pensamento do psicólogo estadunidense Jerome Seymour Bruner e do filósofo John Dewey.

Seymour propôs que o aprendizado deveria decorrer do enfrentamento direto ao problema, surgindo da busca por soluções, o que chamou de Aprendizagem por Descoberta. Por sua vez, Dewey colocou em sua teoria do conhecimento que a educação deve ser baseada na reconstrução da experiência, para haver uma apreensão pessoal de todo o processo e, a partir disso, igualmente repensar o saber.

Essas concepções inspiraram novos programas universitários, tendo as primeiras experiências em Harvard Business School e, em maior grau e com uma aplicação que serviu como base para o método atual, em Masstrich e McMaster, especialmente nas áreas de saúde. Hoje, o método se disseminou e tem aplicabilidade nas diversas áreas do saber e em vários países do mundo, inclusive no Brasil.

Aplicação da Aprendizagem Baseada em Problemas

Uma boa aplicação da metodologia ABP requer uma troca intrínseca e indissociável entre a prática e a teoria. Sua configuração parte da apresentação de um problema verídico ou baseado em uma situação real aos estudantes que, em grupo, devem procurar uma solução, discutindo as possibilidades, com aporte teórico e dados para sustentar suas conclusões. Assim, é preciso pesquisar as respostas em diversas áreas do conhecimento, o que torna o método muito voltado ao aprendizado interdisciplinar.

Em geral, o problema é apresentado pelo professor, que trabalha como um mediador/facilitador do aprendizado. É sua função criar e desenvolver o problema, assim como propor referências iniciais de pesquisa para a construção do conhecimento. Ele tem ainda o papel de mediar e guiar as discussões, a fim de otimizar a busca pelas respostas ao exercício proposto e uma forma interessante de render mais nos estudos.

Da parte dos estudantes, a metodologia requer trabalho em equipe, a fim de montar a resposta. Os grupos costumam ser de no mínimo 3 e no máximo 10 estudantes, considerados, pelas observações e aprimoramento do método ABP, como grupos eficientes para a busca pela resposta. Apresentado o problema, caberá aos estudantes, com base nas fontes apresentadas ou outras que possam vir a pesquisar, chegar a uma solução conjunta.

Aprendizado pelo processo de experimentação

O importante, no entanto, para o método de Aprendizagem Baseada em Problemas, é muito mais o processo de experimentação do que chegar a uma solução final. A formação ocorre desde o primeiro momento, com a apresentação da questão, a pesquisa de fontes, as discussões da equipe e as tentativas e erros decorrentes da busca por uma resposta. Ou seja, o método ABP permite o estudante aprender durante todo o processo e não apenas no final.

Isso porque ele alia a busca por teorias que sirvam para dar embasamento e real solução à problemática, quer dizer, teorias que se apliquem na prática. Sua lógica é que a contribuição da troca de conhecimentos, o uso de técnicas diferenciadas e a possibilidade de encarar a dificuldade por novos ângulos permitem aos estudantes ter um contato mais próximo do mundo real, da profissão e do saber, incluindo a compreensão de termos desconhecidos relacionados a sua área de formação, chuva de ideias para identificar e propor solução para os problemas apresentados, entre outros.

Ademais, o processo de experimentação também, em grande medida, se utiliza do ensino pela tentativa e erro dentro de parâmetros de controle e desempenho. Diferentemente da metodologia tradicional, cuja estrutura de aprendizado é eminentemente expositiva e avaliada por resultados, na ABP o aprendizado se dá pelo uso das técnicas e teorias trazidas pelo próprio estudante e a avaliação é de acordo com o processo, havendo ou não resultado final positivo, ou seja, há uma mudança da concepção: “professor ensinar” para “aluno aprender”.

Implementação da metodologia ABP no Brasil

O uso, no Brasil, da metodologia de Aprendizagem Baseada em Problemas é quase uma exclusividade dos cursos superiores na área de saúde, mas há grandes avanços em sua aplicabilidade no ensino básico e em algumas faculdades de humanas, especialmente nos cursos de Direito. Um importante ponto para seu crescimento, principalmente no ensino médio, foi a interdisciplinaridade do Enem, desde a reformulação de seu estilo de prova.

De fato, a ABP já constava nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do MEC desde 1997 e tem se constituído em um avanço tímido, mas constante, no nosso modelo de ensino, ainda muito preso à forma disciplinar expositiva. Isso, no entanto, tem se alterado, especialmente em faculdades inovadoras, que buscam preparar seus alunos com ênfase na vida profissional, inclusive mesmo em cursos técnicos.

Como exemplos expoentes de Aprendizagem Baseada em Problemas, temos a Escola Superior de Ciências de Saúde, no Distrito Federal, a Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, e a Faculdade de Medicina de Marília, em São Paulo. Mas, para além dessas, outras instituições estão usando esse modelo com grande sucesso.

Como uma forma interessante de preparar o aluno para um mercado de trabalho competitivo e acirrado, a Aprendizagem Baseada em Problemas ajuda a formar profissionais competentes e capazes de lidar, desde o primeiro momento, com questões reais e práticas.

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