Linhas Paralelas

A Trajetória do Sonho Americano

janeiro 26, 2021

O COMEÇO

Uma grande nação pode curvar-se ao infortúnio, não somente pelo fracasso, mas também pelo sucesso. Parece até contraditório, mas é real, e para explicar algo assim, voltemos ao passado.

Eram 102 passageiros e 25 tripulantes a bordo do navio Mayflower (Flor de Maio), que levou 80 dias para atravessar o Atlântico até chegar ao seu destino, a baía do Cabo Cod, localizada no atual estado de Massachusetts, EUA. A embarcação partiu da Inglaterra em 6 de setembro de 1620, levando consigo, entre os viajantes, os pilgrims fathers (pais peregrinos), os primeiros ingleses protestantes que emigraram para a América do Norte, e que lá fundaram as primeiras colônias que, posteriormente, deram origem aos Estados Unidos da América. Nessa época, o continente europeu vivia momentos de grandes tensões causados por guerras civis religiosas, e para fugir disso, zarparam em busca de um novo mundo, de independência e conquista, um mundo livre. Desde a chegada dos pilgrims fathers, no século XVII, o país demonstrou cumprir seus objetivos de evolução e progresso, como uma cidade luminosa no Topo da Colina.

“Que nós sejamos como uma cidade no topo da colina”. (John Kennedy)

De algo supostamente inexpressivo, passou a ser uma potência global. A moeda virou sinônimo de segurança e força. E seus símbolos culturais seduziram mentes do mundo inteiro, tais como, Hollywood, o famoso distrito de Los Angeles, a calçada da Fama, conhecida mundialmente por suas estrelas que homenageiam honradas celebridades.

“Se o perigo chegar, ele surgirá de nós mesmos. Ele não virá de fora. Se a destruição é nosso destino, ela virá pela nossa própria mão. Como nação de homens livres, ou nós viveremos para sempre, ou morreremos por suicídio”. (Abraham Lincoln)

As palavras de Lincoln (1809-1865), 16º presidente norte-americano, viraram profecia. Uma trajetória de sucessos e desencantos desencadearam sentimentos confusos no povo americano, do júbilo à amargura, da esperança ao ceticismo, da segurança à incerteza. A partir daí, aconteceu a maior crise de identidade da história dos Estados Unidos, assinalando que, o longo e honroso século vivido no Topo da Colina, tinha seus dias contados.

A GUERRA E O VOTO

Desde sempre, países recorrem à guerra e ao voto, os dois elementos fundamentais para resolver as grandes crises das nações, e os EUA, por sua vez, conhecem sobremaneira as duas alternativas, pois foram alicerçados sobre elas. A exemplo disso, temos a Guerra Civil Americana (1861-1865), entre a União e os Confederados. A União era formada por 23 estados que não faziam parte da confederação, e os Confederados, por sua vez, eram uma união política formada por 11 estados, ou seja, o lado norte e o lado sul do país em confronto. A União lutava pela abolição da escravatura, os Confederados, estados escravistas, eram contrários a isso.

A questão do voto pode ser exemplificada em dois grandes momentos, através dos estados confederados separatistas, que se separaram da União por meio do voto e o voo 93, relembrando aqui o fatídico 11 de setembro de 2001, onde seus passageiros votaram contra o terrorismo. O voto representa o futuro de um país, e quando se trata de eleições americanas, estas repercutem mundialmente. Escolher um presidente para os Estados Unidos, revela diversas coisas, isto é, crise, economia, confronto, acordo, entre outros. Por isso, todos ao redor do globo, param para observar.

Ronald Reagan (1911-2004), 40º Presidente americano, em uma de suas falas, cita Alexis de Tocqueville (1805-1859), pensador político francês:

“Só depois de entrar nas igrejas da América e ouvir seus sermões inflamados de retidão e justiça, é que entendi o segredo de seu gênio e poder. A América é boa, e se a América, algum dia deixar de ser boa, a América deixará de ser grande”.

O TRIÂNGULO DE FERRO

Profundas crises na economia marcaram as últimas décadas do país, além da perda de segurança, de patriotismo, decadência no desempenho educacional e depreciação no prestígio mundial. Para completar, o EUA está envolvido em 7 diferentes guerras, como, Afeganistão, Síria, Iraque, Iêmen, Somália, Líbia e Nigéria, resultando em um orçamento de 500 bilhões por ano para o departamento de defesa, afinal tem a necessidade de mostrar que é uma das nações mais poderosas do mundo.

O relacionamento entre o congresso, as forças armadas e empresas de armamento militar, foi denominado de Triângulo de Ferro. De um lado, está o SIG – Special Interest Group, um grupo de empresas fabricantes de armas, que subsidiam campanhas políticas. Os políticos, por sua vez, patrocinados por essas empresas, aprovam investimentos para o departamento de defesa, e assim, obtêm mais armas que proporcionam mais guerras. Companhias nesse segmento, precisam desses contratos, orçados em bilhões, para continuarem ativas no mercado, detendo assim, 85% nos lucros da venda de armas para o governo. E a sociedade, composta por eleitores? Seus interesses são privilegiados diante de algo assim? Eis aí, mais uma razão da existência da instabilidade americana…

O SONHO AMERICANO

Quase 250 anos para construir um país, que pode sucumbir em uma única geração. A ideia de estabilidade e prosperidade mostrada ao cidadão comum, está muito longe do real. Os jovens estudantes da atualidade se vêm em desvantagem com relação aos seus pais, que com a mesma idade deles, no passado, já tinham uma vida estável. Ao contrário disso, acumulam dívidas exorbitantes contraídas dos estudos. E se não arranjar trabalho, como pagar? Em razão disso, muitos sobrevivem em subempregos.

A classe média não é mais a classe dominante, criando um abismo entre a elite e a classe pobre. E mesmo em um país de primeiro mundo, a sobrevivência tem dependido de estratégias diversas. E assim, se vislumbra a maior recessão desde a grande depressão de 1929.

Diante desse cenário, a esperança e a promessa chegaram em 2008 em um evento histórico e midiático, porém o sistema venceu mais uma vez. Em 2016, as novas eleições americanas foram comparadas ao voo 93.

Atualmente, onde está o sonho americano, afinal?

Saiba mais, assistindo ao vídeo, disponível no YouTube gratuitamente, através do link: Fim das Nações | A Eleição do Voo 93

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